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Salve o prazer, salve o prazer!

deriva em Madri por Guilherme Wisnik

Em julho de 2010, participei como professor convidado de um workshop urbanístico em Madri, como parte da excelente exposição Desvíos de la deriva, no Museu Reina Sofía, curada por Lisette Lagnado. A exposição focava uma série de projetos “utópicos” criados no Brasil e no Chile durante os anos 1960 e 70. Intitulado “La deriva es nuestra”, o workshop (taller, em castelhano) tinha como tema a deriva, isto é, a proposta de leitura e apropriação do espaço urbano através da subjetividade e do acaso, na mão contrária das visões pragmáticas e funcionalistas da cidade. Portanto, o desafio proposto pelo museu aos talleristas – uma equipe composta por dois professores da Escola de Arquitetura de Valparaíso, Andrés Garcés e Manuel Sanfuentes, e um professor e urbanista espanhol, Francesc Muñoz, além de mim – era a criação de vivências urbanas no presente, que contivessem, em alguma medida, o sentido transgressivo das ações contra-culturais sul-americanas apresentadas na exposição. As vinte e poucas vagas oferecidas foram logo preenchidas por artistas, arquitetos, estudantes e pessoas interessadas em experiências urbanas em geral. A expectativa de todos era enorme.

No entanto, apesar de estimulante, a proposta me parecia ser, na verdade, uma grande enrascada, baseada em um erro estratégico de avaliação. Pois como propor experiências urbanas hoje em dia sem cair na armadilha da estetização do passado? Ou, ainda, como atravessar a linha da leitura teórica em direção a uma proposição concreta sem incorrer em ingenuidade e anacronismo?

Andrés e Floro (apelido de Manuel), os talleristas chilenos, não se intimidaram com o problema. Aliás, não viram ali problema algum. Com a larga experiência das atividades de improvisação que desenvolvem na Ciudad Abierta (um rico campo de experimentação da Escola de Arquitetura de Valparaíso, que inclui a poesia como matéria importante de sua grade curricular), propuseram no primeiro dia um exercício de criação coletiva poético-urbana baseada no recurso do desenho e da palavra, chamado phalène. No percurso pelas ruas todos os participantes recolhem objetos, aos quais são em seguida atribuídas palavras que, por sua vez, viram poemas, e assim determinam, associativamente, os percursos seguintes.

Mas a experiência do segundo dia estava a meu encargo. E eu, no entanto, não conseguia livrar-me da sensação de embuste. Não poderíamos sair às ruas de Madri como se ainda soprasse o vento libertário dos anos 1960, reproduzindo em simulacro a prática situacionista, pensei. Acuado pelas circunstâncias, só consegui pensar que a melhor opção seria encontrar um lugar em que a deriva, tal como concebida originalmente, fosse literalmente impossível. Isto é, conclui que a melhor experiência contemporânea, no caso, seria a de uma deriva à contracorrente. Ocorreu-me, então, que talvez o lugar ideal para isso fosse o novo centro financeiro de Madri: uma grande esplanada, situada ao norte da cidade, pontuada por quatro altíssimas torres envidraçadas, que abrigam sedes de grandes empresas multinacionais, bancos e embaixadas importantes.

As chamadas Torres de la Castellana foram construídas para simbolizar a euforia econômica da Espanha neoliberal, mas acabaram sofrendo as consequências da crise financeira de 2008 que, entre outras coisas, abalou seriamente aquela autoconfiança. Como resultado, as obras das torres e da praça não foram completamente concluídas e os prédios funcionavam improvisadamente em meio a tapumes e tratores.

Para piorar, ninguém me levou a sério, todos se “esqueceram” de levar artigos de jogo

Pedi aos talleristas que no dia seguinte levassem objetos com os quais pudéssemos jogar, como bolas, cordas, raquetes, tacos, ou mesmo um giz para marcarmos um jogo da amarelinha no chão. Pedi também a Fernando del Moral, arquiteto organizador do taller, que nos trouxesse uvas e vinho à vontade. Chegamos lá às dez da manhã, de acordo com o que estava programado, e o sol de verão já estava à pino. Quase não havia lugar para abrigar-se à sombra na imensa praça seca. Tentei disfarçar a tensão, temendo o fiasco do meu plano. Para piorar, ninguém me levou a sério, pois todos se “esqueceram” de levar artigos de jogo. Nem uma bola, nada… Apenas Pablo, um simpático arquiteto madrilenho, tirou da bolsa, em minha defesa, alguns bonequinhos de playmobil.

Tínhamos um impasse, mas não me abalei. Sentamo-nos no chão e passamos a comer e beber em homenagem a Baco, suando em bicas. Já um tanto ébrios, sob aquele sol abrasante, propus que cada um cantasse uma música que pudesse inspirar nossas atividades ali. E, brasileiramente, iniciei o côro entoando o hino do aquecimento de Bacantes no Teatro Oficina, de Assis Valente:

“Alegria pra cantar a batucada
As morenas vão sambar
Quem samba tem alegria
Minha gente era triste, amargurada
Inventou a batucada
Pra deixar de padecer
Salve o prazer, salve o prazer!”

algumas das pessoas disseram que não necessitávamos de instrumentos de jogo, já que tínhamos os nossos próprios corpos

Cantei insistentemente, até que todos entrassem juntos, pelo menos no refrão, em alta voz. Com a guarda mais baixa, e envergonhadas por terem desconsiderado em bloco o meu pedido para aquele dia de atividades, algumas das pessoas ali presentes disseram que não necessitávamos de instrumentos de jogo, já que tínhamos, em essência, os nossos próprios corpos. Certo, mas o que jogar então? Após algumas tentativas, decidimos pelo esconde-esconde. Eu e Floro, o poeta chileno, fomos “bater cara” na pele de vidro de uma das torres, enquanto todos correram para esconder-se na praça aberta e imensa (éramos vinte e poucos). A combinação de sol, vinho, excitação e regressão infantil deu àquele encontro um espírito de profunda liberdade. Os executivos que saíam para fumar na praça normalmente deserta estavam perplexos. Até que, de repente, a castração da realidade veio cobrar sua existência, encerrando subitamente a festa.

Correndo como uma criança sem olhar para a frente enquanto vigiava uma pessoa que corria para se salvar, Floro se chocou contra um afiado bloco de mármore da praça, desenhada, afinal, para que ninguém brincasse ali (essas pequenas torres de mármore não têm qualquer função que não a de criar desenhos geométricos no piso da praça, além de dificultar atividades mais livres e expansivas naquele lugar). Caído no chão, ele tinha um talho razoável na panturrilha. Atônitos, nós voltamos para o museu, enquanto Floro partia em uma ambulância, com Andrés, para o hospital mais próximo. A atividade da tarde, na sala do museu, pareceu uma sessão de terapia: todos queriam purgar aquele sentimento confuso de simultânea visão e expulsão do paraíso e, ao mesmo tempo, expiar um sentimento difuso de culpa no episódio ocorrido pela manhã.

Posso dizer que apesar da pequena tragédia pessoal, e por isso mesmo, por grande ironia, a experiência não poderia ter sido melhor sucedida em relação aos meus propósitos teóricos iniciais. Mas faltava ainda o desfecho inacreditável.

Quando, depois de horas, tudo se acalmava, entrou pela sala uma tallerista argentina, que estava desde o fim da manhã desaparecida, sem que ninguém, no entanto, diante de toda aquela confusão, tivesse dado por sua falta. Vinda da delegacia, Monica contou que tinha se escondido tão bem que não percebeu nada no momento do acidente. Assim, permaneceu agachada atrás da porta de acesso a um dos prédios por um bom tempo. E quem a encontrou ali, depois que já havíamos ido embora, não fomos nós, mas a polícia. Afinal, o que estaria fazendo ela, em atitude tão suspeita, agachada junto à entrada da embaixada norte-americana? Brincando de esconde-esconde? Logicamente essa resposta não soou aceitável, ainda mais porque ninguém mais estava presente ali para testemunhar a seu favor. Ainda muito assustada, Monica riu ao contar sua história. Nós também, evidentemente. Vivendo plenamente o nosso tempo histórico, pudemos sentir, naquele momento, a dor e a delícia de estarmos inteiramente à deriva.

A impossível Deriva, Madrid.
Foto de Pablo Saiz, 2010.

edição atual

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Tendo como tema ‘O corpo e a cidade’, esta quinta edição da revista Celeuma apresenta um novo projeto editorial e gráfico. No foco principal da discussão estão as diversas formas de uso do espaço urbano, questão que tem ganhado centralidade no debate político contemporâneo. De que maneira relacionar os diversos modos de ativismo na cidade hoje, conduzidos pela sociedade civil, em paralelo à atuação “oficial” do Estado? Como podemos pensar em diálogos críticos e criativos entre representantes das esferas pública e privada em prol de um bem urbano coletivo e comum? Como se reelabora a noção de “público” hoje?

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Antonio Risério
Bárbara Wagner
Caroline Rodrigues
Claire Bishop
Eucanaã Ferraz
Guilherme Pianca
Guilherme Wisnik
João Bandeira
José Guilherme Pereira Leite
Júlia Buenaventura
Limarina D’Império
Luiz Fabio Antonioli
Manuela Costalima
Marília Jahnel de Oliveria
Milton Machado
Natália Alavarce
Pablo Saborido
Patrícia Bertucci
Terreyro Coreográfico
Thiago Carrapatoso
Valentina Tong
Walter Rego
Antonio Risério
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entrevista com Antonio Risério por Guilherme Wisnik

Escrevendo sobre as cidades brasileiras de tempos atrás, Gilberto Freyre observou que a rua e o sobrado eram inimigos. As mulheres, em especial, viviam confinadas dentro de casa. Mas esta é uma meia verdade, aplicável apenas aos segmentos sociais privilegiados. Escravos, ex-escravos e pobres livres, de ambos os sexos e de todas as cores, viviam nas praças e nas vias públicas de nossas cidades coloniais. De qualquer sorte, datam somente da segunda metade do século XIX, da ação abolicionista, os primeiros comícios de nossa história, a propaganda política feita em praça pública.

João Bandeira
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texto e fotos por João Bandeira

A rua é um rio, o bairro, um mar. Sendo assim, chega-se por escada estreita até o salão modestamente mobiliado e semelhante nisso a outros tantos na área, mas na certa bastante normal se você é dali ou pelo menos se está sempre por ali. O mesmo vale para a televisão, dessa vez desligada, os desenhos impressos no cardápio e, pelas paredes, os ícones de lugares muito distantes do endereço sobre a porta de entrada lá fora. Da mesa dá para ver, por exemplo, a foto de uma montanha com famosas ruínas pré-colombianas, e sobre ela uma travessa acomoda bem outra verdadeira montanha de peixe cru saborosamente temperado que, com pequenas variações e acompanhado do suco de chicha morada recomendado pelo garçom, é o que quase todo mundo está comendo.

Marina D'Império, Natalia Alavarce e Pablo Saborido
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Thiago Carrapatoso
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por thiago carrapatoso

Guilherme Pianca
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por Guilherme Pianca

Mesmo sendo longínquo o período em que o ribeirão Anhangabaú corria livre em seu vale e era chamado de "água da face do diabo" , as dificuldades para se lidar com a área parecem perdurar como um espectro. Local de inúmeros projetos e intervenções no século XX, nos últimos meses o vale do Anhangabaú voltou à pauta de debate por conta do projeto de requalificação e reurbanização proposto pela atual gestão da prefeitura.

Marília Jahnel
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entrevista com Marília Jahnel por Natália Alavarce e Thiago Carrapatoso

É significativo que o conceito de “direito à cidade” esteja hoje materializado em uma divisão governamental. Marília Jahnel de Oliveira, coordenadora de Promoção do Direito à Cidade na Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, conversou com a Celeuma sobre os princípios norteadores das políticas dessa divisão, que traz no nome uma referência explícita ao filósofo francês Henri Lefebvre. Nessa conversa, vislumbramos brevemente os desafios de estar na posição de representante do povo, lidando com a infinidade de conflitos existentes na imensa capital.

Terreyro Coreográfico
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por terreyro coreográfico

TERREYRO COREOGRÁFICO dá nome a uma encruzilhada em que confluíram coreógrafos, arquitetos, urbanistas, dançarinos, músicos, filósofos e poetas - em coro - na direção de pensar, em ato, o público em suas várias dimensões. Pensar o público para além da dialética público x privado. Pensar o público sem a baliza do privado. Trabalhar a arquitetura através de um pensamento coreográfico no sentido de transmutar terreno em TERREYRO. Também dá nome à primeira manifestação da encruzilhada, ao seu primeiro projeto arquitetônico-coreográfico, realizado no baixio do viaduto Júlio de Mesquita Filho, entre as ruas Major Diogo e Abolição, no bairro do Bixiga, São Paulo, abrindo caminho para o projeto Anhangabaú da Feliz Cidade.

Carolione Rodrigues
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por Caroline Rodrigues
ilustração Walter Rego

Olhar bem de perto olho dela é laranja, captando tão longe açúcar e sal; o forró onde tem ela está; o corpo tomba iogue pros braços; nesse caso são patas: quatro dedos cada uma. Ela vem: a mesa os velhos, sorriso baralho barriga, amendoim amolecido a pedra quente ela assim tem o que quer. As partidas a cabeça acompanha, pinica o monte do morto a ver se ressuscita, e pra quando jogam pipoca ou pra quando espantam pé ou copo tão duros na mesa sua cara é a mesma: nenhum medo da morte.
De longe nessa praça um homem grande usando calça finaliza a construção a arapuca fantasma: um caminho de sal, um rei de paus na portinha, um forró no radinho. Joga nela bolotinha amendoim não acerta mas o ruído salgado ela desvia da partida e vai bicar - não sem antes olhar de onde veio se tem mais.

Valentina Tong
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Barbara Wagner
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Em 2014, durante a Copa do Mundo, Bárbara Wagner participou do projeto Offside Brazil, lançado pela Agência Magnum em parceria com o Instituto Moreira Salles. A série de imagens produzidas nessa ocasião – que mostramos, aqui, em parte – retrata momentos cotidianos de integrantes do movimento Ocupe Estelita, acampados debaixo de viadutos do cais Estelita, no Recife. Os ativistas protestavam contra a execução do projeto imobiliário Novo Recife, que ambiciona a dita “revitalização” do antigo Cais José Estelita por meio de uma proposta excludente e asséptica. Congregando os anseios da sociedade civil, e afrontando de forma importante os interesses exclusivistas da especulação imobiliária, o movimento Ocupe Estelita se tornou central no quadro do novo ativismo urbano hoje no Brasil.
Claire Bishop
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por claire bishop

1. O espetáculo hoje
Uma das principais palavras usadas pelos próprios artistas para definir suas práticas de engajamento social é “espetáculo”, frequentemente invocada como a entidade à qual a arte participativa opõe-se, tanto artística quanto politicamente. Ao avaliar as motivações dos artistas para voltar-se à participação social como estratégia em seus trabalhos, encontra-se repetidamente a mesma reivindicação: o capitalismo contemporâneo produz sujeitos passivos, de pouquíssima atuação ou empoderamento.

Guilherme Wisnik
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deriva em Madri por Guilherme Wisnik

Em julho de 2010, participei como professor convidado de um workshop urbanístico em Madri, como parte da excelente exposição Desvíos de la deriva, no Museu Reina Sofía, curada por Lisette Lagnado. A exposição focava uma série de projetos “utópicos” criados no Brasil e no Chile durante os anos 1960 e 70. Intitulado “La deriva es nuestra”, o workshop (taller, em castelhano) tinha como tema a deriva, isto é, a proposta de leitura e apropriação do espaço urbano através da subjetividade e do acaso, na mão contrária das visões pragmáticas e funcionalistas da cidade.

Julia Buenaventura
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por Julia Buenaventura

O melhor lugar para visitar a obra de Gordon Matta-Clark, intitulada Propriedades Reais: Bens Fictícios, é o website do Departamento de Finanças da Cidade de Nova York. Lá, o interessado vai encontrar as escrituras, a história dos lotes e os mapas. Só faltam as fotografias dos terrenos tiradas pelo artista. Porém, nessa obra, as fotos são mais um anexo do que qualquer outra coisa.
Explico-me. No outono de 1973, Gordon Matta-Clark acompanhou sua amiga Alanna Heiss ao Hotel Roosevelt em Manhattan, onde ocorria um leilão em que a cidade de Nova York oferecia propriedades que retornaram ao Estado pelas mais diversas causas: falta de pagamento de impostos, mortes ou expropriações.

José Guilherme Pereira Leite
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por José Guilherme Pereira Leite

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Se é de corpos e cidades que devemos falar, assim começa o laudo da perícia médica sobre o assassinato do poeta, romancista, cineasta e ensaísta Pier Paolo Pasolini (1922-1975), espancado até a morte em 2 de novembro de 1975, mesmo dia em que foi encontrado o seu cadáver, próximo ao Idroscalo di Ostia, “onde a água do Tibre se salga”

Patricia Morales Bertucci
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por patrícia morales bertucci

A prática espacial de uma sociedade secreta seu espaço; ela o põe e o supõe, numa interação dialética: ela o produz lenta e seguramente, dominando-o e dele se apropriando.
Durante a madrugada de 15 de julho de 1980, alguns jovens reuniram-se para intervir plasticamente no túnel que faz a ligação das avenidas Paulista e Dr. Arnaldo. Com mais de 100 metros de plástico polietileno vermelho, eles foram costurando-o entre os vazios superiores do túnel e o piso de baixo, formando uma grande escultura lúdica.

Manuela Costalima
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As grandes cidades fazem-se de uma combinação constante entre desenho, planificação, vontade de ordenamento do espaço e suas apropriações irregulares, adaptações provisórias que acabam por se consolidar; desvios que o tempo e a ocupação imprimem na grelha urbana.
Thiago Carrapatoso
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por thiago carrapatoso

Ei, você, deixa eu te perguntar uma coisa: já parou para pensar no que é uma cidade? Não digo na parte estrutural, com suas ruas, prédios, arquiteturas e macrorregiões, mas sim no que é a cidade em si, para que ela serve, qual o propósito de nos reunirmos em conglomerados de moradias e trabalhos. Já parou para pensar sobre isso? E me diga: quantas vezes você já viu alguém reclamando do aumento da tarifa de transporte público, do trânsito que parece não parar de crescer, dos alagamentos constantes até fechar o verão, da violência cada vez mais assustadora chegando diariamente pela luz invasiva da televisão, do custo de vida absurdo, do aumento constante do metro quadrado de cada trecho daquilo que chamamos de cidade?

Milton Machado
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por milton machado

Eucanaã Ferraz
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por eucanaã ferraz
ilustração walter rego