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História do Futuro*

por milton machado

* Em 2011, Milton Machado publicou História do Futuro pela Cosac Naify.

Fast forward
O Nômade se move.
A motivação do Nômade é a motividade.
O Nômade é uma invenção.
O Nômade é um fundador de cidades.
O Nômade é um iniciador.
O futuro do Nômade é iniciar o presente de uma cidade.
O Nômade é um tradutor [translator].
Os movimentos do Nômade são vetoriais, não direcionais.
O Nômade age por meio de permanentes desterritorializações.
O Nômade age por meio de pernanentes reterritorializações.
O Nômade age por meio de permanentes transgressões.
O Nômade age por meio de permanentes incorporações.
O Nômade age por meio de negações e excessos.
O Nômade age por meio de variações, expansões, conquistas, capturas, ramificações.
O Nômade coleciona, mas não constitui álbuns.
O Nômade não é particularmente chegado às generalidades.
O Nômade não é particularmente chegado a generais.
O Nômade é um produtor de mapas dos quais ele constantemente se desprende.
O Nômade age por meio da repetição e da afirmação da diferença (mais de um milhão de vezes).
O Nômade está sempre no meio ("dans le milieu"), mesmo quando está no início ou no fim.
O Nômade está sempre nos espaços-entre.
O Nômade está sempre in-between.
O Nômade vê as coisas como pela primeira vez.

"Onde você vai? De onde você vem? O que espera encontrar mais além?" Para o Nômade, "essas perguntas são totalmente inúteis”.1˟ 1 Tais perguntas são de Deleuze e Guattari. A passagem de onde provêm – um trecho mais longo em que os autores procuram "sintetizar as principais características do rizoma" – é a seguinte: "Onde você vai? De onde você vem? O que espera encontrar mais além? Essas são perguntas totalmente inúteis. Fazer tábula-rasa, iniciar ou começar de novo do grau-zero, buscar uma origem ou um fundamento – tudo isso implica uma falsa concepção da viagem e do movimento (uma concepção metodológica, pedagógica, iniciatória, simbólica...). Mas Kleist, Lenz e Büchner vislumbram uma outra modalidade de viagem e de movimento: prosseguindo do meio, através do meio, ir e vir ao invés de começar e terminar... O meio não é, de modo algum, uma média; ao contrário, é onde as coisas adquirem velocidade." Gilles DELEUZE e Felix GUATTARI, “One Thousand Plateaus”, tr. Brian MASSUMI, Athlone Press, 1988, p22-25.

O Nômade é um passante [passer-by].

Uma coisa é a geografia do habitante. Outra é a geografia do passante. Um passante faz com que as distâncias se aproximem. Mas logo ali, e outra vez, eis a Distância.

Um passante exercita uma espécie de maestria sobre as dimensões. Dimensões se tormam perspectiva, geometria. Mas logo ali, e outra vez, eis o Horizonte. Nem sempre pode um passante ter alguma coisa à mão. Mas ele/a sempre tem alguma coisa em vista. Para que um passante possa ter algo em vista, escalar montanhas ou subir em árvores (como o grego Theoros, que escalava montanhas e subia em árvores para liderar o exército para mais além da geografia) pode constituir uma medida lucrativa.

Para um passante, "uma medida lucrativa" é uma noção totalmente diferente da noção que um proprietário de terras tem de "uma medida lucrativa"2˟ 2 Lembrar que lidamos aqui com uma lógica de um "arquiteto sem medidas".. Passantes não pertencem a lugar nenhum. As etiquetas do passante relativas à propriedade [propriety] e à posse [property] são reguladas por uma economia própria do próprio. Passar por um campo de flores e subir em árvores podem ser razões suficientes para que o passante seja alvejado por tiros. A passagem pode ser facilmente confundida com a invasão.

Um passante tem dificuldades de imediatamente reconhecer os limites e os intervalos (ainda que ele/a imediatamente reconheça quando está sendo alvejado/a!); mas isso não impede que ele/a articule teorias sobre os limites e os intervalos (geometria, perspectiva...).

Nos dramas de HF, o Nômade é o protagonista.

Analogias. Margens e molduras
Diz-se, no Texto Descritivo de 1978, que este universo só faz sentido dentro das margens estritas de meus papéis de desenho.

O Nômade, o Sedentário e o sujeito da Morte Vulgar são personagens conceituais (Deleuze e Guattari) de HF. No entanto, pode ser necessário fazer analogias entre os personagens de HF e o mundo real de pessoas reais, nossas cidades, nossos trabalhos, movimentos, projetos, sonhos e desejos. Com nossas histórias e nossos futuros. Margens devem então ser abertas e os enquadramentos [frames], expandidos. Toda nova ocorrência do trabalho é uma tentativa de articular novas analogias, de romper os limites da margem, de expandir o alcance dos enquadramentos. As analogias abrem o trabalho para sua exterioridade.

Analogia: o Nômade, em sua passagem de uma a outra Cidade-Mais-que-Perfeita, rompe as margens e os limites, relativiza as delimitações, amplia os enquadramentos, expande o campo, alarga os horizontes. Mas, logo ali, e outra vez, eis o Horizonte.

Em uma analogia proposta pelo trabalho História do Futuro, o Nômade é identificado como a "figura emblemática do homem como criador". Um artista, mas no sentido de que "todo homem é artista" (como desejado por Joseph Beuys, ou talvez como teriam desejado os deuses).

Mas, se o Nômade fosse humano, da mesma maneira o seriam o Sedentário e o sujeito da Morte Vulgar. Se analogias vierem a ser feitas, todos os três identificariam um mesmo homem ou uma mesma mulher. Apenas nesse caso poderiam ser referidos como "ele" ou "ela". Eles e elas, como nós.

História do Futuro (1978– em progresso)
Série I, desenho 1, 1978
Módulo de Destruição na Posição Alfa
Grafite sobre papel, 35 x 50 cm
Foto: Wilton Montenegro
História do Futuro (1978– em progresso)
Série I, desenho 2, 1978
Ciclo de Destruição das Cidades Mais-que-Perfeitas
1º Movimento
Grafite sobre papel, 35 x 50 cm
Foto: Wilton Montenegro
História do Futuro (1978– em progresso)
Série I, desenho 3, 1978
Ciclo de Destruição das Cidades Mais-que-Perfeitas
2º Movimento
Grafite sobre papel, 35 x 50 cm
Foto: Wilton Montenegro
História do Futuro (1978– em progresso)
Série I, desenho 4, 1978
Ciclo de Destruição das Cidades Mais-que-Perfeitas
3º Movimento
Grafite sobre papel, 35 x 50 cm
Foto: Wilton Montenegro
História do Futuro (1978– em progresso)
Série I, desenho 5, 1978
Ciclo de Destruição das Cidades Mais-que-Perfeitas
4º Movimento
Grafite sobre papel, 35 x 50 cm
Foto: Wilton Montenegro
História do Futuro (1978– em progresso))
Série I, desenho 6, 1978
Ciclo de Destruição das Cidades Mais-que-Perfeitas
Módulo de Destruição na Posição Alfa
Grafite sobre papel, 35 x 50 cm
Foto: Wilton Montenegro
História do Futuro (1978– em progresso)
Módulo de Destruição na Posição Alfa
Aço
380 x 380 x 380 cm
29ª Bienal de São Paulo, 2010
Foto: Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos
História do Futuro (1978– em progresso)
Módulo de Destruição na Posição Alfae
Ferro; 400 x 400 x 460 cm
Interventi,Museo Civico Gibellina, 1990
destruído em 2013
Foto: Milton Machado
História do Futuro (1978– em progresso)
Módulo de Destruição na Posição Alfae
Ferro; 400 x 400 x 460 cm
Interventi,Museo Civico Gibellina, 1990
destruído em 2013
Foto: Milton Machado
História do Futuro (1978– em progresso)
Nômade
Ferro; 400 x 400 x 460 cm
Interventi, Museo Civico Gibellina, 1990
destruído em 2013
Foto: Milton Machado
História do Futuro (1978– em progresso)
Nômade
Ferro; 400 x 400 x 460 cm
Interventi, Museo Civico Gibellina, 1990
destruído em 2013
Foto: Milton Machado
História do Futuro (1978– em progresso)
Módulo de Destruição Atravessado por Nômade
Aço, mármore, madeira
380 x 380 x 760 cm
Cabeça, exposição retrospectiva do artista, CCBB-Rio de Janeiro, 2014
Foto: Winton Montenegro

edição atual

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Tendo como tema ‘O corpo e a cidade’, esta quinta edição da revista Celeuma apresenta um novo projeto editorial e gráfico. No foco principal da discussão estão as diversas formas de uso do espaço urbano, questão que tem ganhado centralidade no debate político contemporâneo. De que maneira relacionar os diversos modos de ativismo na cidade hoje, conduzidos pela sociedade civil, em paralelo à atuação “oficial” do Estado? Como podemos pensar em diálogos críticos e criativos entre representantes das esferas pública e privada em prol de um bem urbano coletivo e comum? Como se reelabora a noção de “público” hoje?

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Antonio Risério
Bárbara Wagner
Caroline Rodrigues
Claire Bishop
Eucanaã Ferraz
Guilherme Pianca
Guilherme Wisnik
João Bandeira
José Guilherme Pereira Leite
Júlia Buenaventura
Limarina D’Império
Luiz Fabio Antonioli
Manuela Costalima
Marília Jahnel de Oliveria
Milton Machado
Natália Alavarce
Pablo Saborido
Patrícia Bertucci
Terreyro Coreográfico
Thiago Carrapatoso
Valentina Tong
Walter Rego
Antonio Risério
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entrevista com Antonio Risério por Guilherme Wisnik

Escrevendo sobre as cidades brasileiras de tempos atrás, Gilberto Freyre observou que a rua e o sobrado eram inimigos. As mulheres, em especial, viviam confinadas dentro de casa. Mas esta é uma meia verdade, aplicável apenas aos segmentos sociais privilegiados. Escravos, ex-escravos e pobres livres, de ambos os sexos e de todas as cores, viviam nas praças e nas vias públicas de nossas cidades coloniais. De qualquer sorte, datam somente da segunda metade do século XIX, da ação abolicionista, os primeiros comícios de nossa história, a propaganda política feita em praça pública.

João Bandeira
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texto e fotos por João Bandeira

A rua é um rio, o bairro, um mar. Sendo assim, chega-se por escada estreita até o salão modestamente mobiliado e semelhante nisso a outros tantos na área, mas na certa bastante normal se você é dali ou pelo menos se está sempre por ali. O mesmo vale para a televisão, dessa vez desligada, os desenhos impressos no cardápio e, pelas paredes, os ícones de lugares muito distantes do endereço sobre a porta de entrada lá fora. Da mesa dá para ver, por exemplo, a foto de uma montanha com famosas ruínas pré-colombianas, e sobre ela uma travessa acomoda bem outra verdadeira montanha de peixe cru saborosamente temperado que, com pequenas variações e acompanhado do suco de chicha morada recomendado pelo garçom, é o que quase todo mundo está comendo.

Marina D'Império, Natalia Alavarce e Pablo Saborido
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Thiago Carrapatoso
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por thiago carrapatoso

Guilherme Pianca
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por Guilherme Pianca

Mesmo sendo longínquo o período em que o ribeirão Anhangabaú corria livre em seu vale e era chamado de "água da face do diabo" , as dificuldades para se lidar com a área parecem perdurar como um espectro. Local de inúmeros projetos e intervenções no século XX, nos últimos meses o vale do Anhangabaú voltou à pauta de debate por conta do projeto de requalificação e reurbanização proposto pela atual gestão da prefeitura.

Marília Jahnel
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entrevista com Marília Jahnel por Natália Alavarce e Thiago Carrapatoso

É significativo que o conceito de “direito à cidade” esteja hoje materializado em uma divisão governamental. Marília Jahnel de Oliveira, coordenadora de Promoção do Direito à Cidade na Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, conversou com a Celeuma sobre os princípios norteadores das políticas dessa divisão, que traz no nome uma referência explícita ao filósofo francês Henri Lefebvre. Nessa conversa, vislumbramos brevemente os desafios de estar na posição de representante do povo, lidando com a infinidade de conflitos existentes na imensa capital.

Terreyro Coreográfico
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por terreyro coreográfico

TERREYRO COREOGRÁFICO dá nome a uma encruzilhada em que confluíram coreógrafos, arquitetos, urbanistas, dançarinos, músicos, filósofos e poetas - em coro - na direção de pensar, em ato, o público em suas várias dimensões. Pensar o público para além da dialética público x privado. Pensar o público sem a baliza do privado. Trabalhar a arquitetura através de um pensamento coreográfico no sentido de transmutar terreno em TERREYRO. Também dá nome à primeira manifestação da encruzilhada, ao seu primeiro projeto arquitetônico-coreográfico, realizado no baixio do viaduto Júlio de Mesquita Filho, entre as ruas Major Diogo e Abolição, no bairro do Bixiga, São Paulo, abrindo caminho para o projeto Anhangabaú da Feliz Cidade.

Carolione Rodrigues
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por Caroline Rodrigues
ilustração Walter Rego

Olhar bem de perto olho dela é laranja, captando tão longe açúcar e sal; o forró onde tem ela está; o corpo tomba iogue pros braços; nesse caso são patas: quatro dedos cada uma. Ela vem: a mesa os velhos, sorriso baralho barriga, amendoim amolecido a pedra quente ela assim tem o que quer. As partidas a cabeça acompanha, pinica o monte do morto a ver se ressuscita, e pra quando jogam pipoca ou pra quando espantam pé ou copo tão duros na mesa sua cara é a mesma: nenhum medo da morte.
De longe nessa praça um homem grande usando calça finaliza a construção a arapuca fantasma: um caminho de sal, um rei de paus na portinha, um forró no radinho. Joga nela bolotinha amendoim não acerta mas o ruído salgado ela desvia da partida e vai bicar - não sem antes olhar de onde veio se tem mais.

Valentina Tong
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Barbara Wagner
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Em 2014, durante a Copa do Mundo, Bárbara Wagner participou do projeto Offside Brazil, lançado pela Agência Magnum em parceria com o Instituto Moreira Salles. A série de imagens produzidas nessa ocasião – que mostramos, aqui, em parte – retrata momentos cotidianos de integrantes do movimento Ocupe Estelita, acampados debaixo de viadutos do cais Estelita, no Recife. Os ativistas protestavam contra a execução do projeto imobiliário Novo Recife, que ambiciona a dita “revitalização” do antigo Cais José Estelita por meio de uma proposta excludente e asséptica. Congregando os anseios da sociedade civil, e afrontando de forma importante os interesses exclusivistas da especulação imobiliária, o movimento Ocupe Estelita se tornou central no quadro do novo ativismo urbano hoje no Brasil.
Claire Bishop
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por claire bishop

1. O espetáculo hoje
Uma das principais palavras usadas pelos próprios artistas para definir suas práticas de engajamento social é “espetáculo”, frequentemente invocada como a entidade à qual a arte participativa opõe-se, tanto artística quanto politicamente. Ao avaliar as motivações dos artistas para voltar-se à participação social como estratégia em seus trabalhos, encontra-se repetidamente a mesma reivindicação: o capitalismo contemporâneo produz sujeitos passivos, de pouquíssima atuação ou empoderamento.

Guilherme Wisnik
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deriva em Madri por Guilherme Wisnik

Em julho de 2010, participei como professor convidado de um workshop urbanístico em Madri, como parte da excelente exposição Desvíos de la deriva, no Museu Reina Sofía, curada por Lisette Lagnado. A exposição focava uma série de projetos “utópicos” criados no Brasil e no Chile durante os anos 1960 e 70. Intitulado “La deriva es nuestra”, o workshop (taller, em castelhano) tinha como tema a deriva, isto é, a proposta de leitura e apropriação do espaço urbano através da subjetividade e do acaso, na mão contrária das visões pragmáticas e funcionalistas da cidade.

Julia Buenaventura
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por Julia Buenaventura

O melhor lugar para visitar a obra de Gordon Matta-Clark, intitulada Propriedades Reais: Bens Fictícios, é o website do Departamento de Finanças da Cidade de Nova York. Lá, o interessado vai encontrar as escrituras, a história dos lotes e os mapas. Só faltam as fotografias dos terrenos tiradas pelo artista. Porém, nessa obra, as fotos são mais um anexo do que qualquer outra coisa.
Explico-me. No outono de 1973, Gordon Matta-Clark acompanhou sua amiga Alanna Heiss ao Hotel Roosevelt em Manhattan, onde ocorria um leilão em que a cidade de Nova York oferecia propriedades que retornaram ao Estado pelas mais diversas causas: falta de pagamento de impostos, mortes ou expropriações.

José Guilherme Pereira Leite
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por José Guilherme Pereira Leite

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Se é de corpos e cidades que devemos falar, assim começa o laudo da perícia médica sobre o assassinato do poeta, romancista, cineasta e ensaísta Pier Paolo Pasolini (1922-1975), espancado até a morte em 2 de novembro de 1975, mesmo dia em que foi encontrado o seu cadáver, próximo ao Idroscalo di Ostia, “onde a água do Tibre se salga”

Patricia Morales Bertucci
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por patrícia morales bertucci

A prática espacial de uma sociedade secreta seu espaço; ela o põe e o supõe, numa interação dialética: ela o produz lenta e seguramente, dominando-o e dele se apropriando.
Durante a madrugada de 15 de julho de 1980, alguns jovens reuniram-se para intervir plasticamente no túnel que faz a ligação das avenidas Paulista e Dr. Arnaldo. Com mais de 100 metros de plástico polietileno vermelho, eles foram costurando-o entre os vazios superiores do túnel e o piso de baixo, formando uma grande escultura lúdica.

Manuela Costalima
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As grandes cidades fazem-se de uma combinação constante entre desenho, planificação, vontade de ordenamento do espaço e suas apropriações irregulares, adaptações provisórias que acabam por se consolidar; desvios que o tempo e a ocupação imprimem na grelha urbana.
Thiago Carrapatoso
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por thiago carrapatoso

Ei, você, deixa eu te perguntar uma coisa: já parou para pensar no que é uma cidade? Não digo na parte estrutural, com suas ruas, prédios, arquiteturas e macrorregiões, mas sim no que é a cidade em si, para que ela serve, qual o propósito de nos reunirmos em conglomerados de moradias e trabalhos. Já parou para pensar sobre isso? E me diga: quantas vezes você já viu alguém reclamando do aumento da tarifa de transporte público, do trânsito que parece não parar de crescer, dos alagamentos constantes até fechar o verão, da violência cada vez mais assustadora chegando diariamente pela luz invasiva da televisão, do custo de vida absurdo, do aumento constante do metro quadrado de cada trecho daquilo que chamamos de cidade?

Milton Machado
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por milton machado

Eucanaã Ferraz
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por eucanaã ferraz
ilustração walter rego