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Colaboradores
Antônio Risério é antropólogo, historiador, poeta e ensaísta. Foi autor do projeto de implantação do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Dentre as suas obras estão Avant-Garde na Bahia (Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1995) e A Cidade no Brasil (Editora 34, 2012).
Bárbara Wagner é fotógrafa e mestre em Artes Visuais pelo Dutch Art Institute. Possui obras nas coleções permanentes do MASP e do MAM de São Paulo. Foi ganhadora da Bolsa de Fotografia Zum do IMS (2015) e é participante 32ª Bienal de São Paulo (2016).
Caroline Rodrigues é escritora, roteirista e produtora cultural. Seu primeiro livro, Sem Vista para o Mar (Edith, 2014), foi vencedor do prêmio Jabuti e do prêmio da Fundação Biblioteca Nacional na categoria Contos.
Claire Bishop é historiadora e crítica de arte; desenvolve pesquisas sobre o impacto das tecnologias digitais na experiência histórica e na arte contemporânea, entre outros temas. Atualmente é professora de pós-graduação na Universidade de Nova Iorque.
Eucanaã Ferraz é professor de Literatura Brasileira na UFRJ e autor, entre outros livros, de Rua do mundo (2004), Cinemateca (2008), Sentimental (2012), vencedor do prêmio Portugal Telecom, e Escuta (2015), todos lançados pela Cia. das Letras.
Guilherme Pianca é arquiteto e urbanista formado pela FAU-USP, onde desenvolve mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura. É editor da revista Contravento.
Guilherme Wisnik é professor na FAU-USP, autor de Lucio Costa (Cosac Naify, 2001), Caetano Veloso (Publifolha, 2005) e Estado crítico: à deriva nas cidades (Publifolha, 2009). Foi curador geral da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 2013.
João Bandeira é coordenador de artes visuais do Maria Antonia, organizador de Arte Concreta Paulista – documentos (Cosac Naify, 2002) e autor de Quem quando queira (Cosac Naify, 2015), entre outros livros. Foi curador de exposições de artistas como Nuno Ramos, Evgen Bavcar, Cildo Meireles e Lina Bo Bardi.
José Guilherme Pereira Leite é cientista social e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP. Professor na Escola da Cidade, onde coordena o Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, foi fundador do Núcleo de Programação da Cinemateca Brasileira e organizador de As malhas da cultura (Ateliê Editorial, 2013).
Júlia Buenaventura é doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP. Atua como crítica e como historiadora da arte com foco em América Latina. Em 2015, o Ministério da Cultura da Colômbia publicou seu livro Polvo eres: El correr del tiempo en María Elvira Escallón.
Luiz Fábio Antonioli é arquiteto formado pela FAU-Mackenzie e mestre em Projeto, Espaço e Cultura pela FAU-USP. Investiga espaços expositivos, artes de novas mídias e produções artísticas contemporâneas. Participa do dispositivo Cinema e Psicanálise (CEP-SP). Foi pesquisador da equipe curatorial da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 2013.
Manuela Costalima é arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP. Realizou exposições na Casa de Cultura de Paraty, na galeria Zipper, na Fundação Cultural BADESC e participou da mostra do 21° Programa Nascente, em 2013. Seu livro Projeto Correspondência foi premiado pelo PROAC na categoria Livro de Artista.
Marília Jahnel de Oliveira é graduada em Ciências Sociais pela FFLCH-USP. Especialista em Arquitetura e América Latina pela Escola da Cidade e em Gestão Cultural pelo Itaú Cultural, foi gestora do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso. Atualmente é Coordenadora de Direito à Cidade da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.
Marina D’ Império cursa Arquitetura e Urbanismo na FAU-USP e é fotógrafa. Foi premiada no 22° Programa Nascente (2014) na categoria artes visuais, por seu trabalho Entrelinha, participando da mostra realizada no Museu de Arte Contemporânea da USP.
Milton Machado é graduado em Arquitetura, mestre em Planejamento Urbano pela UFRJ e doutor em Artes Visuais pela University of London. Artista plástico e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.
Natália Alavarce é graduada em História pela FFLCH-USP e estuda Design na FAU-USP. Desenvolve trabalhos em design, fotografia e educação.
Pablo Saborido é fotógrafo e criador do Guia San Pablo, que propõe percursos pela cidade de São Paulo por meio da seleção e do mapeamento de restaurantes que reportam os movimentos migratórios dentro da cidade.
Patricia Morales Bertucci é arquiteta e urbanista, doutoranda em Artes pela ECA-USP. Com passagens pelo Teatro da Vertigem, pelo Instituto Pólis e pela Prefeitura de São Paulo, trabalha em projetos que discutem as conexões entre a cidade e a arte contemporânea.
Terreyro Coreográfico é uma encruzilhada coropolítica que atua na cidade transmutando terrenos em TERREYROS, devolvendo ao Público o que é Público. Atualmente está trabalhando os baixos do viaduto Júlio Mesquita Filho. Recebeu apoio do edital de Fomento à Dança da SMC de São Paulo, 16ª e 20ª edição.
Thiago Carrapatoso é jornalista, mestre pelo Center for Curatorial Studies da Bard College de Nova Iorque. É um dos fundadores da Casa da Cultura Digital e do Movimento BaixoCentro e autor do e-book A Arte do Cibridismo. Atualmente é coordenador-executivo do Theatro Municipal Digital.
Valentina Tong é arquiteta e fotógrafa. Em 2013, participou da X Bienal de Arquitetura de São Paulo com a exposição fotográfica China: o mundo renderizado. É curadora assistente da área de fotografia contemporânea no Instituto Moreira Salles.
Walter Rego é desenhista aficionado por trocadilhos e por humor. Ilustrou a edição 114 da revista Piauí e sonha com a volta de Millôr Fernandes.

edição atual

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Tendo como tema ‘O corpo e a cidade’, esta quinta edição da revista Celeuma apresenta um novo projeto editorial e gráfico. No foco principal da discussão estão as diversas formas de uso do espaço urbano, questão que tem ganhado centralidade no debate político contemporâneo. De que maneira relacionar os diversos modos de ativismo na cidade hoje, conduzidos pela sociedade civil, em paralelo à atuação “oficial” do Estado? Como podemos pensar em diálogos críticos e criativos entre representantes das esferas pública e privada em prol de um bem urbano coletivo e comum? Como se reelabora a noção de “público” hoje?

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Antonio Risério
Bárbara Wagner
Caroline Rodrigues
Claire Bishop
Eucanaã Ferraz
Guilherme Pianca
Guilherme Wisnik
João Bandeira
José Guilherme Pereira Leite
Júlia Buenaventura
Limarina D’Império
Luiz Fabio Antonioli
Manuela Costalima
Marília Jahnel de Oliveria
Milton Machado
Natália Alavarce
Pablo Saborido
Patrícia Bertucci
Terreyro Coreográfico
Thiago Carrapatoso
Valentina Tong
Walter Rego
Antonio Risério
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entrevista com Antonio Risério por Guilherme Wisnik

Escrevendo sobre as cidades brasileiras de tempos atrás, Gilberto Freyre observou que a rua e o sobrado eram inimigos. As mulheres, em especial, viviam confinadas dentro de casa. Mas esta é uma meia verdade, aplicável apenas aos segmentos sociais privilegiados. Escravos, ex-escravos e pobres livres, de ambos os sexos e de todas as cores, viviam nas praças e nas vias públicas de nossas cidades coloniais. De qualquer sorte, datam somente da segunda metade do século XIX, da ação abolicionista, os primeiros comícios de nossa história, a propaganda política feita em praça pública.

João Bandeira
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texto e fotos por João Bandeira

A rua é um rio, o bairro, um mar. Sendo assim, chega-se por escada estreita até o salão modestamente mobiliado e semelhante nisso a outros tantos na área, mas na certa bastante normal se você é dali ou pelo menos se está sempre por ali. O mesmo vale para a televisão, dessa vez desligada, os desenhos impressos no cardápio e, pelas paredes, os ícones de lugares muito distantes do endereço sobre a porta de entrada lá fora. Da mesa dá para ver, por exemplo, a foto de uma montanha com famosas ruínas pré-colombianas, e sobre ela uma travessa acomoda bem outra verdadeira montanha de peixe cru saborosamente temperado que, com pequenas variações e acompanhado do suco de chicha morada recomendado pelo garçom, é o que quase todo mundo está comendo.

Marina D'Império, Natalia Alavarce e Pablo Saborido
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Thiago Carrapatoso
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por thiago carrapatoso

Guilherme Pianca
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por Guilherme Pianca

Mesmo sendo longínquo o período em que o ribeirão Anhangabaú corria livre em seu vale e era chamado de "água da face do diabo" , as dificuldades para se lidar com a área parecem perdurar como um espectro. Local de inúmeros projetos e intervenções no século XX, nos últimos meses o vale do Anhangabaú voltou à pauta de debate por conta do projeto de requalificação e reurbanização proposto pela atual gestão da prefeitura.

Marília Jahnel
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entrevista com Marília Jahnel por Natália Alavarce e Thiago Carrapatoso

É significativo que o conceito de “direito à cidade” esteja hoje materializado em uma divisão governamental. Marília Jahnel de Oliveira, coordenadora de Promoção do Direito à Cidade na Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, conversou com a Celeuma sobre os princípios norteadores das políticas dessa divisão, que traz no nome uma referência explícita ao filósofo francês Henri Lefebvre. Nessa conversa, vislumbramos brevemente os desafios de estar na posição de representante do povo, lidando com a infinidade de conflitos existentes na imensa capital.

Terreyro Coreográfico
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por terreyro coreográfico

TERREYRO COREOGRÁFICO dá nome a uma encruzilhada em que confluíram coreógrafos, arquitetos, urbanistas, dançarinos, músicos, filósofos e poetas - em coro - na direção de pensar, em ato, o público em suas várias dimensões. Pensar o público para além da dialética público x privado. Pensar o público sem a baliza do privado. Trabalhar a arquitetura através de um pensamento coreográfico no sentido de transmutar terreno em TERREYRO. Também dá nome à primeira manifestação da encruzilhada, ao seu primeiro projeto arquitetônico-coreográfico, realizado no baixio do viaduto Júlio de Mesquita Filho, entre as ruas Major Diogo e Abolição, no bairro do Bixiga, São Paulo, abrindo caminho para o projeto Anhangabaú da Feliz Cidade.

Carolione Rodrigues
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por Caroline Rodrigues
ilustração Walter Rego

Olhar bem de perto olho dela é laranja, captando tão longe açúcar e sal; o forró onde tem ela está; o corpo tomba iogue pros braços; nesse caso são patas: quatro dedos cada uma. Ela vem: a mesa os velhos, sorriso baralho barriga, amendoim amolecido a pedra quente ela assim tem o que quer. As partidas a cabeça acompanha, pinica o monte do morto a ver se ressuscita, e pra quando jogam pipoca ou pra quando espantam pé ou copo tão duros na mesa sua cara é a mesma: nenhum medo da morte.
De longe nessa praça um homem grande usando calça finaliza a construção a arapuca fantasma: um caminho de sal, um rei de paus na portinha, um forró no radinho. Joga nela bolotinha amendoim não acerta mas o ruído salgado ela desvia da partida e vai bicar - não sem antes olhar de onde veio se tem mais.

Valentina Tong
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Barbara Wagner
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Em 2014, durante a Copa do Mundo, Bárbara Wagner participou do projeto Offside Brazil, lançado pela Agência Magnum em parceria com o Instituto Moreira Salles. A série de imagens produzidas nessa ocasião – que mostramos, aqui, em parte – retrata momentos cotidianos de integrantes do movimento Ocupe Estelita, acampados debaixo de viadutos do cais Estelita, no Recife. Os ativistas protestavam contra a execução do projeto imobiliário Novo Recife, que ambiciona a dita “revitalização” do antigo Cais José Estelita por meio de uma proposta excludente e asséptica. Congregando os anseios da sociedade civil, e afrontando de forma importante os interesses exclusivistas da especulação imobiliária, o movimento Ocupe Estelita se tornou central no quadro do novo ativismo urbano hoje no Brasil.
Claire Bishop
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por claire bishop

1. O espetáculo hoje
Uma das principais palavras usadas pelos próprios artistas para definir suas práticas de engajamento social é “espetáculo”, frequentemente invocada como a entidade à qual a arte participativa opõe-se, tanto artística quanto politicamente. Ao avaliar as motivações dos artistas para voltar-se à participação social como estratégia em seus trabalhos, encontra-se repetidamente a mesma reivindicação: o capitalismo contemporâneo produz sujeitos passivos, de pouquíssima atuação ou empoderamento.

Guilherme Wisnik
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deriva em Madri por Guilherme Wisnik

Em julho de 2010, participei como professor convidado de um workshop urbanístico em Madri, como parte da excelente exposição Desvíos de la deriva, no Museu Reina Sofía, curada por Lisette Lagnado. A exposição focava uma série de projetos “utópicos” criados no Brasil e no Chile durante os anos 1960 e 70. Intitulado “La deriva es nuestra”, o workshop (taller, em castelhano) tinha como tema a deriva, isto é, a proposta de leitura e apropriação do espaço urbano através da subjetividade e do acaso, na mão contrária das visões pragmáticas e funcionalistas da cidade.

Julia Buenaventura
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por Julia Buenaventura

O melhor lugar para visitar a obra de Gordon Matta-Clark, intitulada Propriedades Reais: Bens Fictícios, é o website do Departamento de Finanças da Cidade de Nova York. Lá, o interessado vai encontrar as escrituras, a história dos lotes e os mapas. Só faltam as fotografias dos terrenos tiradas pelo artista. Porém, nessa obra, as fotos são mais um anexo do que qualquer outra coisa.
Explico-me. No outono de 1973, Gordon Matta-Clark acompanhou sua amiga Alanna Heiss ao Hotel Roosevelt em Manhattan, onde ocorria um leilão em que a cidade de Nova York oferecia propriedades que retornaram ao Estado pelas mais diversas causas: falta de pagamento de impostos, mortes ou expropriações.

José Guilherme Pereira Leite
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por José Guilherme Pereira Leite

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Se é de corpos e cidades que devemos falar, assim começa o laudo da perícia médica sobre o assassinato do poeta, romancista, cineasta e ensaísta Pier Paolo Pasolini (1922-1975), espancado até a morte em 2 de novembro de 1975, mesmo dia em que foi encontrado o seu cadáver, próximo ao Idroscalo di Ostia, “onde a água do Tibre se salga”

Patricia Morales Bertucci
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por patrícia morales bertucci

A prática espacial de uma sociedade secreta seu espaço; ela o põe e o supõe, numa interação dialética: ela o produz lenta e seguramente, dominando-o e dele se apropriando.
Durante a madrugada de 15 de julho de 1980, alguns jovens reuniram-se para intervir plasticamente no túnel que faz a ligação das avenidas Paulista e Dr. Arnaldo. Com mais de 100 metros de plástico polietileno vermelho, eles foram costurando-o entre os vazios superiores do túnel e o piso de baixo, formando uma grande escultura lúdica.

Manuela Costalima
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As grandes cidades fazem-se de uma combinação constante entre desenho, planificação, vontade de ordenamento do espaço e suas apropriações irregulares, adaptações provisórias que acabam por se consolidar; desvios que o tempo e a ocupação imprimem na grelha urbana.
Thiago Carrapatoso
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por thiago carrapatoso

Ei, você, deixa eu te perguntar uma coisa: já parou para pensar no que é uma cidade? Não digo na parte estrutural, com suas ruas, prédios, arquiteturas e macrorregiões, mas sim no que é a cidade em si, para que ela serve, qual o propósito de nos reunirmos em conglomerados de moradias e trabalhos. Já parou para pensar sobre isso? E me diga: quantas vezes você já viu alguém reclamando do aumento da tarifa de transporte público, do trânsito que parece não parar de crescer, dos alagamentos constantes até fechar o verão, da violência cada vez mais assustadora chegando diariamente pela luz invasiva da televisão, do custo de vida absurdo, do aumento constante do metro quadrado de cada trecho daquilo que chamamos de cidade?

Milton Machado
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por milton machado

Eucanaã Ferraz
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por eucanaã ferraz
ilustração walter rego