marcelo zocchio


telhado, 2010
impressão a jato de tinta s/ papel, cartão, MDF, madeira
205 x 133 x 120 cm

textos ciclo expo

marcelo zocchio
segundamão

Retidos a meio caminho, como se forjados entre a insinuação projetiva dos planos e o aparecimento desembaraçado no espaço, os novos trabalhos de Marcelo Zocchio estruturam-se por meio de ajustagens recíprocas entre superfícies heterogêneas em aparente contiguidade. Vistos em conjunto, evidenciam a recorrência de uma mesma operação formal: em um, por exemplo, imbrica-se na fotografia do madeiramento de um telhado uma escada de madeira que vaza e sustenta a imagem, em outro, um banco de ripas é cerrado obliquamente para que se acomode ao ângulo formado na imagem, ampliada em tamanho natural, de uma veneziana de madeira.

Cravados um no outro, objeto e fotografia encontram para si pontos de coesão capazes de equilibrar densidades, consistências, pesos variados. Pois, ao mesmo tempo em que os pedaços enxertados respondem à normatividade do espaço fotografado – conformando-se com seus materiais, cores e perspectivas – as imagens, solucionadas por enquadramentos que tomam as cenas de viés, parecem abrir com precisão áreas reservadas para o encaixe das peças.

Mas, diversamente do que a contundência dessas escolhas construtivas faria supor, a coerência de cada trabalho deriva não somente da sugestão de continuidade entre as superfícies, mas sobretudo de uma calibragem cuidadosa das escalas que, num jogo de compensações recíprocas, faz uma parte se remeter e se desdobrar na outra, complementando-se num mesmo expediente marcado por uma recusa à inserção irrevogável no real.

Nem bem fotografias, nem bem esculturas, os trabalhos equacionam-se justamente no meio-termo, na descoberta de espaços de indeterminação nos quais podem indistintamente se comportar ora como formas expelidas no espaço, ora como formas refreadas nos planos.

Liliane Benetti