dudi maia rosa

sem título, 2013
tinta solvente sobre tela
136 x 191 cm

sem título, 2013
tinta solvente sobre tela
136 x 175 cm

sem título, 2013
tinta solvente sobre tela
136 x 175 cm

sem título, 2013
tinta solvente sobre tela
136 x 186 cm

textos ciclo expo

dudi maia rosa
cábulas

Os trabalhos que Dudi apresenta agora não se oferecem sem alguma dose de estranheza, derivada do fato de ao mesmo tempo serem e não serem pinturas. Mas também não é possível vê-los sem a constante reposição de alguma familiaridade, estimulada, é claro, pela sensação de que se sabe, até certo ponto, a origem das imagens que exibem, mas, talvez, também pelo modo como as superfícies desses trabalhos comportam tais imagens.

Os quadros de Dudi são indistintamente pintura e ecrã; são já as projeções de algum desenho animado que todo mundo viu, mas também são ainda os stills, as “eurecas” na mesa de desenho que acabam de aquarelar o ar misterioso do primeiro enquadramento de uma possível história. Eles são, afinal, nem enormes nem diminutos, de um tamanho aproximado entre uma pintura meio grande e uma projeção meio pequena, de uma dimensão que concilia (porque não impõe decisivamente a quem os vê a dinâmica do “de longe, de perto”) a mancha do pincel e o depósito industrial da tinta. Mesmo porque, quem garantiria que a marca manual, a mancha, o borrão, não pertence também ao próprio vocabulário daquelas imagens que soam comuns ao universo dos livros infantis ou dos desenhos animados? Ou, ao contrário, que a imagem industrialmente assentada não pertence ao vocabulário maduro da pintura?

A propósito desse hábito de se aproximar ou se afastar para saciar a curiosidade de como aquilo (ou a pintura, ou um objeto desconhecido) é feito, esses trabalhos possuem em comum um, por assim dizer, “tema da espreita”. De repente, um relógio não encontrou sua vista privilegiada e toma de assalto todo o campo da visão, distendendo o móvel que o sustenta junto com a parede que o rebate; ou, então, só se tem ao alcance da vista aquele trecho muito próximo entre o chão e o vão aberto da porta. O que não deve ser menos ou mais instigante – e decerto esta é uma suspeita que esses trabalhos levantam – do que espreitar uma área escura de uma outra tela, sem saber ao certo o momento em que manchas irregulares insinuam formar algum objeto (uma vassoura debaixo da escada, ou... O que mais?) ou tendem a se exibir como elementos autorreferentes.

Espiando dessa distância esgueiriça, talvez não exista necessariamente menos curiosidade no desvelamento ou na artificialidade dos mecanismos da representação do que o que pode resguardar a imagem do sótão de uma casa mal-assombrada – parecem dizer esses trabalhos que o artista vem minuciosamente fazendo e refazendo nos últimos tempos.

Carlos Eduardo Riccioppo

Consulte material bibliográfico sobre este artista na Biblioteca Gilda de Melo e Souza