Carmela Gross – Jac Leirner – Jorge Macchi – Leda Catunda

Carmela Gross – Asa
Asa, 1995
ferro articulado, tecido e betume
1,14 x 2,72 x 0,20 m

Jac Leirner – Fantasma
Fantasma, 1998
papel, cabo de aço
7,5 x 15 x 480 cm

Leda Catunda - Skate II
Skate II, 2010
acrílica s/ tela e tecido
194 x 297 cm

textos ciclo expo

Carmela Gross – Jac Leirner – Jorge Macchi – Leda Catunda
Exigências do presente

Esta seleção de trabalhos de Carmela Gross, Jac Leirner, Jorge Macchi e Leda Catunda dá sequência às atividades do simpósio Sobre historicidade e arte contemporânea, idealizado e organizado pelo Centro de Pesquisa em Arte Brasileira do Depto. De Artes Plásticas da ECA-USP, com a participação do Instituto de Cultura Contemporânea na sua realização. A exposição Exigências do presente, proposta pela coordenação de artes visuais do Centro Universitário Maria Antonia, sucede em um ano o simpósio que alternou entrevistas com os artistas reunidos novamente nesta mostra, ocorridas na Biblioteca Municipal Mario de Andrade, e conferências de críticos, historiadores e teóricos da arte, brasileiros e estrangeiros, realizadas no Maria Antonia.
As discussões concentraram-se na produção artística das últimas três décadas e em exames sobre as possíveis linhas de continuidade entre a arte contemporânea e a de gerações anteriores. Para isso, prevaleceu a interpretação de obras, a análise da trajetória de determinados artistas, em detrimento de avaliações genéricas sobre o período.
A exposição liga-se aos propósitos daquele simpósio, ao agrupar um pequeno conjunto de trabalhos dos quatro artistas, para uma apresentação sintética – pontual mas complexa, pelas possibilidades de interrelação – de momentos diversos dessas produções, com peças da década de 1980 até hoje – algumas inéditas em São Paulo, ou pouco mostradas em contextos públicos, e outras bastante representativas do curso de cada obra. As articulações sugeridas entre pensamentos, materiais e operações de Carmela, Jac, Jorge e Leda também não pretendem a construção de um discurso que se sobreponha à singularidade dos trabalhos. Agora, o que surge aqui por convergências na repetição e seriação de formas, na acumulação e organização de objetos recolhidos da vida prática, na reabilitação de padrões e clichês a um estado de potência, no rigor intelectual dos procedimentos, em suma, talvez contribua para mensurar o tamanho das exigências do presente: quando a rubrica “arte contemporânea”, apesar da multiplicidade de coisas que abarca, circula como um campo cada vez mais especializado (do mercado e do conhecimento), movido por um número crescente de agentes, inclusive de “público”, ao mesmo tempo em que vê a sua capacidade de intervenção social reduzida a aspectos econômicos e espetaculares, diante dos quais as disciplinas e categorias teóricas dedicadas a descrevê-la parecem em colapso. Tempo de interrogar as obras, então, e de recuperar com elas a acepção investigativa da palavra “especulação”.

José Augusto Ribeiro - Curador