Camila Sposati

Colisão, 2011
Guache s/ papel 60 x 80 x 4 cm

textos ciclo expo

Camila Sposati
Espaço Gabião

O trabalho de Camila Sposati opera num eixo vertical e constrói uma espacialidade que se estabelece entre profundidade e superfície, a forma e sua sugestão por representações cartográficas ou até experimentos científicos deslocados para o espaço da arte. Assim, cria-se uma combinação entre o fascínio da imagem e materialidade, entre o design e incompletudes, bem como entre o espaço institucional da arte e a experiência cotidiana.
Yellow vanishing point (2010) pode introduzir sua poética. Insere-se na série Fumaças, com a qual a artista trabalha desde 2002. Nele, há uma investigação do ponto de vista em relação à nossa percepção da paisagem e da cor através da documentação de uma ação executada em local supostamente distante – Highland, Escócia. Por outro lado, pelo seu aspecto topográfico, o filme se relaciona diretamente com o trabalho tridimensional apresentado na exposição Troca de terra (2011). Nessa escultura de chão, com a qual o espectador estabelece um contato próximo, a artista trabalha com desdobramentos de outras séries de sua obra como Crescimento de cristais (desenvolvida desde 2007) e Holes (desde 2010). Isso lhe permite explorar aspectos ligados à fertilidade do solo e representações dessa propriedade intrínseca, mas improvável, de forma livre e indireta. Os materiais utilizados, conformados de acordo com estruturas abstratas desenvolvidas pela artista nas séries citadas, provêm de pesquisa com tipos de terras e argilas utilizadas por artesão da cidade de Cunha.
Colisão (2011) é um ponto de convergência na mostra. Um desenho “bilateral” feito com folhas de papel e guache. Sua simplicidade construtiva e a franqueza de sua colocação espacial propõe uma intersecção entre espaços das demais obras e dialoga com conquistas do Neoconcretismo em seus esforços por ampliar questões da bidimensionalidade e sensorialidade na arte brasileira.

Rafael Vogt Maia Rosa - Curador