Célia Euvaldo

Arquivo: Célia Euvaldo 1
sem título, 2010
óleo s/ tela
40 x 50 cm
foto: Marcus Cappellano

Arquivo: Célia Euvaldo 2
sem título, 2010
óleo s/ tela
30 x 40 cm
foto: Marcus Cappellano

textos ciclo expo

Célia Euvaldo
Poeminhas

Paralelamente à produção de pinturas em grandes dimensões realizadas nos últimos anos, Célia Euvaldo tem trabalhado pelo menos desde 2006 com quadros de formato reduzido, expostos agora pela primeira vez em seu conjunto sob o título de Poeminhas. Seguindo a mesma gramática enxuta de suas pinturas maiores, essas telas apresentam um espaço articulado a partir da combinação de movimentos precisos que retiram da neutralidade original das cores preta e branca uma multiplicidade infinita de composições.
De maneira bastante corajosa, Euvaldo vem ao longo dos anos conquistando uma linguagem que busca aprofundar algumas questões essenciais, ao invés de se dispersar em uma grande variedade de formas e meios. Seu fazer é constituído pela investigação poética de algo aparentemente simples, o gesto e seus desdobramentos no espaço, que como marca primordial da presença do homem no mundo, encontra-se na base de toda ação.
E esse gesto, em sua natureza singular, encontra-se mais concentrado na superfície desses pequenos quadros. Diferentemente da heterogeneidade de acontecimentos e do tempo moroso das grandes pinturas da artista, essas telas nos trazem à memória a beleza breve e intensa de poemas haicais. Elas se constituem como instantâneos visuais de uma ação que se materializa no aqui e agora de cada unidade pictórica, em uma relação mais imediata e espontânea entre o corpo e a matéria. Por outro lado, vistas em conjunto, parecem expressar um mesmo ato que se desdobra em pequenos fragmentos de energia condensada e que em suas diversas articulações alcançam uma espécie de equilíbrio zen entre elementos aparentemente díspares como exatidão e acaso, vontade e automatismo, esforço e leveza, expansão e contensão, fluidez e resistência, o traço e seu apagamento.

Taisa Palhares