bartolomeo gelpi


Eva
2010
Óleo sobre cimento pintado
137 x 74 cm (comprimeto x largura)


Emergência
2010
óleo sobre concreto
210 x 124 cm


Emergência
2010
óleo sobre concreto
210 x 124 cm


Pintura Infiltrada em Planos Baixos
2008
óleo sobre madeira
dimensões variáveis


Uma Medida
2009
óleo sobre concreto
2009


Uma Medida (detalhe)
2009
óleo sobre concreto
2009

textos ciclo expo

bartolomeo gelpi
rosa dos ventos

“Sou um pintor,” afirma Bartolomeo Gelpi. Mas como entender Rosa do ventos como pintura, já que as relações que a exposição propõe não se resolvem no plano de um “quadro,” e sim em relação direta com o espaço em que se instala? As cores pintadas em faixas nas quatro faces de uma das colunas do hall do 1º piso do edifício do Maria Antonia remetem a elementos constitutivos do próprio espaço: o piso de granilite, as portas e batentes, ou um outro piso de tacos, visível na sala adjacente.

As mesmas pinturas duplicam-se nas paredes do ambiente, em relação especular com a coluna-matriz, definindo um instrumento que procura talvez possibilidades poéticas de restituir à linguagem visual a potência de encontrar caminhos. Na série Mapas, de telas a óleo colocadas no mesmo local, revela-se ainda mais a busca exaustiva do pintor pelas tonalidades, texturas e relações cromáticas, num processo cheio de idas e vindas, que implica também o tempo condensado na instalação pictórica.

A firme gestualidade dessa pintura, que deixa aparente tanto as marcas do pincel quanto pequenas frestas entre as listras, sugere uma subjetividade que contrasta com a frieza do material industrializado e com a funcionalidade de um espaço destinado, em princípio, à circulação, onde as pessoas não permanecem. As faixas pintadas, longas e irregulares, explicitam relações estruturais já existentes no ambiente, mas imperceptíveis no dia-a-dia. A própria coluna, transformada em eixo central da obra, ganha visibilidade e interesse, expandindo sua função de eterna sustentação. O trabalho propõe então uma base de convívio intersubjetivo entre o “mundo da obra” e o “mundo da vida,” deixando claro que, também na arte contemporânea, mesmo quando olha para o campo específico da pintura, o artista se preocupa obsessivamente com o que está em torno.

Tania Rivitti