andré rigatti

sem título, 2010
óleo s/ papel
30 x 40 cm

textos ciclo expo

andré rigatti

Sempre próximas a suas bordas, as pinturas de André Rigatti possuem pequenas aberturas, por onde se deixa ver o processo que dá origem a trabalhos de textura matérica mais ou menos acentuada, resultados da sobreposição de diversas camadas de tinta, aplicadas cada uma seguindo uma direção diferente do pincel. Nesses trechos periféricos, não raro se pode recalcular a ordem das coberturas do artista, da última camada depositada até o papel ainda em branco. Mas o que chama a atenção ali é o quanto, na revelação de uma e outra camadas da pintura, não se pretende surpresas, acelerações, e sequer excessos, explorações sucessivas de tentativas e erros (cada camada de cor, afinal, não se deixa apreender como nada além do preenchimento mais ou menos homogêneo da mesma superfície). No mais das vezes, a camada de tinta que se insinua por detrás sequer é mais ou menos luminosa ou opaca do que aquela que a recobre. Esses trabalhos tratam, sim, de abordar a pintura de acordo com a temporalidade que sua prática quer demandar, mas o fazem como que expondo esta temporalidade em si mesma, sem o seu sentido ou efeito sobre a totalidade da superfície. Trata-se de pinturas que reiteram um processo contínuo de vedação ou amortecimento (os grandes contrastes entre as cores são evitados, os acontecimentos formais se dão sem muito alarde e apenas naqueles trechos periféricos), um processo que ocorre, porém, sem reivindicar uma impositiva negação de qualquer espécie de aspecto construtivo ou sem impedir que ali se esboce, de repente, a insinuação de algumas poucas imagens. Não há grandes contrastes, acontecimentos, mas as geometrizantes e definidas interrupções entre uma camada e outra às vezes se deixam ver como sucintas figurações algo paisagísticas, a lembrar, ao lado da orientação horizontal de suas superfícies, frações de casas ou edifícios.

Carlos Eduardo Riccioppo